Não entrego um património incalculável. Entrego o necessário para a semente germinar: uma fundação que devolve à classe média a hipótese de viver onde trabalha. Esta página explica porquê.
Sou um empreendedor em série: passei os últimos 25 anos a estruturar, recuperar e escalar empresas por toda a Europa, e foi esse o terreno que mais me ensinou. A formação veio antes e deu-me as ferramentas — engenheiro mecânico especializado em termodinâmica pelo Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, com um Erasmus no Imperial College London que me abriu os olhos, e formação em gestão na Universidade Lusíada e no IE Business School.
Liderei equipas e projetos por vários países e setores. Pelo caminho, aprendi a fazer aquilo que melhor sei: montar o puzzle. Ligar pessoas diferentes a um mesmo propósito, criar equipas e pôr a máquina a funcionar.
É essa a competência que trago para a Âncora. Não a de passar cheques, mas a de conectar capital, municípios, operadores e talento em torno de uma estrutura que dura mais do que qualquer um de nós.
Cada traço da Fundação nasceu de uma pessoa que me ensinou alguma coisa.
A vida foi muito boa para mim. Não sou rico, sou feliz e tenho tudo o que preciso. E quando se chega a este ponto de equilíbrio, a única conta que falta saldar é a da gratidão.
Nas últimas três décadas, vivi a alta velocidade. Participei em projetos internacionais, tive êxitos que me orgulham e fracassos que me moldaram. Fui o jovem acelerado que cometeu erros, mas foi preciso cair para amadurecer. Hoje, acredito em algo superior: o sucesso é um empréstimo da vida e temos o dever de partilhar com a sociedade a sorte que temos.
Há um ano que preparo o meu regresso definitivo a Portugal. Adoro este país e acredito na Europa como o melhor conceito de sociedade humanista que o mundo já criou. Em Lisboa está quem mais amo: a família e os amigos que se tornaram família.
Foi à mesa, nesses longos almoços onde se discute tudo, da cultura à inteligência artificial, da sociologia à vida, que a semente nasceu. A habitação não chegou como uma estatística fria, mas como uma ferida aberta no coração da classe média. Há cidades onde um professor cria os filhos a 15 minutos do trabalho e um enfermeiro não escolhe entre pagar a renda e poupar para o futuro. Viena. Copenhaga. Helsínquia. Não é sorte: é uma escolha institucional feita há décadas.
Portugal tem tudo o que precisa para fazer a mesma escolha. Capital privado disponível. Património por reabilitar. Municípios dispostos a parceiros. O que falta é o veículo: uma estrutura permanente, blindada, profissional, que não dependa de governos nem de ciclos eleitorais para cumprir a missão. Não estou a inventar um modelo; estou a institucionalizar o que vi funcionar à minha volta durante décadas. A Fundação Âncora é o que acontece quando valores de aldeia encontram instrumentos do século XXI.
Não tenho filhos biológicos, mas a vida deu-me outra forma de deixar descendência. A Fundação Âncora é o filho que deixo. A minha missão é ativar esta estrutura: transformar capital em habitação permanente, tijolo em dignidade, vizinhos em comunidade. Uma semente feita para gerar muitas.
Convido-vos a sentarem-se a esta mesa comigo.
A Âncora é maior do que uma pessoa. Por isso o meu trabalho é reunir quem a queira construir comigo. Se se revê numa destas frentes, falemos.
Se algo nesta página ressoou consigo, escreva-me diretamente. Leio todas as mensagens.
«Convido-vos a sentarem-se a esta mesa comigo.»