Proposta submetida à auscultação nacional do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência
Ver as medidas propostas ↓Portugal tem dos piores acessos à habitação da OCDE. Este problema não afeta apenas famílias em situação de pobreza. Atinge a classe média profissional que aufere rendimentos demasiado altos para habitação social e demasiado baixos para competir no mercado.
A catástrofe de Janeiro-Fevereiro de 2026 agravou esta fragilidade: famílias deslocadas precisam de soluções de longa duração; as regiões afetadas precisam de reter população; os trabalhadores da reconstrução precisam de habitação condigna. A precariedade habitacional é, em si mesma, uma vulnerabilidade perante catástrofes.
O PTRR aborda a habitação em dois eixos: a reconstrução de habitação própria (Pilar da Recuperação) e a construção de mais habitação pública (Pilar da Transformação). Ambos são necessários.
Falta um terceiro eixo: mecanismos que mobilizem capital privado para produzir habitação acessível permanente, sem dependência continuada do Orçamento de Estado.
A escala do problema excede a capacidade orçamental pública. Entidades privadas de missão habitacional podem ser o multiplicador que acelera a disponibilização de habitação condigna. Portugal tem os instrumentos jurídicos. Falta o enquadramento programático.
As medidas acima não dependem de nenhuma entidade específica. Qualquer fundação, cooperativa ou IPSS com missão habitacional poderia beneficiar destes enquadramentos. A Fundação Âncora é um exemplo concreto, em fase de constituição, que demonstra que o modelo já está a ser construído em Portugal.
Fundador · Fundação Âncora